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domingo, 8 de junho de 2014
Histórias - Boneca, a cachorrinha do Chico Xavier
Chico Xavier tinha uma cachorra de nome Boneca, que sempre esperava por ele e fazendo grande festa ao avistá-lo. Pulava em seu colo, lambia-lhe o rosto como se o beijasse. O Chico então dizia:
– Ah Boneca, estou com muitas pulgas!
Imediatamente, ela começava a coçar o peito dele com o focinho. Boneca morreu velha e doente. Chico sentiu muito a sua partida. Envolveu-a no mais belo xale que ganhara e enterrou-a no fundo do quintal, não sem antes derramar muitas lágrimas.
Um casal de amigos, que a tudo assistiu, na primeira visita de Chico a São Paulo, ofertou-lhe uma cachorrinha idêntica à sua saudosa Boneca.
A filhotinha, muito nova ainda, estava envolta num cobertor e os presentes a pegavam no colo, sem contudo, desalinhá-la de sua manta. A cachorrinha recebia afagos de cada um. A conversa corria quando Chico entrou na sala e alguém colocou em seus braços a pequena cachorra. Ela, sentindo-se no colo de Chico, começou a se agitar e a lambê-lo.
- Ah Boneca, estou cheio de pulgas! disse Chico.
A filhotinha começou então a caçar-lhe as pulgas e parte dos presentes, que conheceram a Boneca, exclamaram:
- “Chico, a Boneca está aqui, é a Boneca, Chico!”
Emocionados, perguntamos como isso poderia acontecer. O Chico respondeu:
- Quando nós amamos o nosso animal e dedicamos a ele sentimentos sinceros, ao partir, os espíritos amigos o trazem de volta para que não sintamos sua falta. É, Boneca está aqui, sim e ela está ensinando a esta filhota os hábitos que me eram agradáveis. Nós seres humanos, estamos na natureza para auxiliar o progresso dos animais, na mesma proporção que os anjos estão para nos auxiliar. Por isso, quem maltrata um animal é alguém que ainda não aprendeu a amar.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Irena Sendler: Guerreira da paz, O Anjo de Varsóvia
Durante a Segunda Guerra Mundial, Irena Sendler conseguiu permissão para entrar no Gueto de Varsóvia como encanadora e para fazer limpeza de esgoto.
Toda vez que ela saia do gueto, escondia uma criança no fundo de sua sua caixa de ferramentas, ou em sacos de lixo. Ela adestrou um cão, para fazer barulho quando ela deixava o gueto, e assim distrair a atenção dos guardas nazistas. Ela salvou 2500 crianças da morte.
Nos momentos finais da guerra, ela foi descoberta, e os nazistas quebraram as pernas e braços dela.
Cada criança salva, tinha o nome escrito em papel, e escondido em uma jarra enterrada no quintal dela. Após a guerra, ela pegou o registro de cada uma das crianças, e tentou achar os parentes. As crianças que ficaram definitivamente sem parentes vivos, foram orientadas para adoção.
Em 2007 ela foi indicada ao prêmio Nobel da paz, mas quem ganhou foi o Al Gore, por seu power-point sobre mudanças climáticas.
Ela morreu em 2008, e seu trabalho é hoje continuado, em uma organização que se chama "Vida numa jarra" (life in a jar) IRENA SENDLER -
Nascida em 15 de fevereiro de 1910, era enfermeira do Departamento de Bem Estar Social de Varsóvia quando a Alemanha nazista invadiu a Polônia em 1939.
Varsóvia era, naquela época, a capital judia da Europa com cerca de 350 mil judeus, alvo certeiro à sanha genocida de Hitler e seus seguidores. Durante os anos tenebrosos de ocupação, Irena Sendler ajudou como pôde, sem distinção de credo ou raça, a todos que necessitassem de auxílio.
Em 1942 os nazistas criaram, o que viria a ser chamado de Gueto de Varsóvia, um emaranhado de prédios sujos e infestado de pragas onde os judeus "pernoitavam" antes da decida derradeira ao inferno. O plano era mantê-los ali, à mercê do frio, da fome e de doenças, forma cruel e desumana de tentar diminuir a "demanda" rumo aos Campos da Morte.Gueto de Varsóvia.
Diante disso, Irena Sendler não se conteve e procurou novas formas de ajudar os que mais precisavam: obteve junto aos órgãos sanitários autorização que lhe dava acesso ao Gueto e começou trabalho de prevenção de epidemias - os alemães, apesar de desejarem a morte de judeus por conta das doenças, tinham pavor de que possíveis epidemias saíssem de controle e acabassem por atingir os poloneses não-judeus e os membros do exército nazista.Crianças judias no Gueto de Varsóvia.
Assim, pôs-se em contato com famílias e entidades de fora do Gueto que aceitassem receber e proteger os pequenos judeus que seriam retirados de forma clandestina. Ao mesmo tempo, começou a propor às famílias a idéia. A pergunta que mais escutou foi: "Pode prometer que meu filho viverá?". Irena Sendler pensava: "O que podia prometer quando nem sequer sabia se eu conseguiria sair viva do Gueto?". A única certeza era que permanecer ali significaria morte certa para todos, por algo que tinha de ser feito urgentemente.
Irena Sendler foi trabalhar no local mais perigoso e insalubre da Varsóvia e, como forma de solidariedade ao povo judeu, ao caminhar por entre os condenados, ostentava a mesma estrela de David que os marcava. Dentro do Gueto, Irena Sendler elegeu como sua missão salvar os mais vulneráveis à barbárie: as crianças.
E foi assim que, ao longo de um ano e meio, sob o risco diário de ser capturada, Irena Sendler conseguira retirar cerca de 2.500 crianças judias do Gueto de Varsóvia. Para isso ela utilizou todos os meios de que dispunha: começou a recolhê-las em ambulâncias como vítimas de tifo. Depois, foram sacos, cestos de lixo, caixas de ferramentas, carregamentos de mercadorias, sacas de batata, caixões - qualquer lugar onde pudesse esconder uma criança servia para livrá-las daquela irracionalidade.
Muitas vezes Irena Sendler teve que sedar os pequenos fugitivos como forma de evitar serem descobertos. Depois, treinou um cachorro para latir diante dos soldados nazistas, forma de abafar qualquer barulho que revelasse o esquema e afastar os algozes e suas rotineiras verificações.E pensando no dia em que a Guerra terminaria, Irena Sendler manteve, por todo o tempo de seu trabalho, tal qual tesouro precioso, uma detalhada lista com as informações de todas as crianças retiradas: nome judeu, nome novo, família de origem e nova família ou instituição que as abrigava. Irena Sendler retirou crianças do Gueto até 20 de Outubro de 1943, quando foi descoberta e presa pela Gestapo. Levada para a Prisão de Pawiak, foi sistematicamente torturada e humilhada. Durante as contínuas sessões de tortura, Irena Sendler teve os ossos dos pés e das pernas quebrados e, mesmo assim, não revelou nenhum nome ou localização de crianças ou colaborador. Foi condenada à morte, mas acabou salva graças à intervenção de seus companheiros de luta: um oficial alemão, devidamente comprado pela resistência polonesa, ao lhe guiar para um "interrogatório extra", gritou em polaco - CORRA! E ela correu.
No dia seguinte seu nome constava na lista de poloneses executados, e, dada como morta.
Irena Sendler pôde, com nome falso, continuar a fazer o bem possível até o fim da guerra. Os nomes de seus pequenos judeus, ela havia enterrado em garrafas de vidro no quintal de uma vizinha, já prevendo o dia em que seria capturada. Terminada a guerra, a lista foi entregue a Adolfo Berman, primeiro presidente do Comitê de Salvação dos Judeus Sobreviventes, para que pudesse tentar encontrar as famílias e lhes entregar suas crianças. Infelizmente a maior parte das famílias tinha sucumbido nos campos nazistas, mas as identidades não se perderam. Por conta da ocupação comunista da Polônia, a história de Irena Sendler não foi divulgada e nem era conhecida. Só foi revelada em 1999, quando quatro jovens americanas da região rural do Kansas, Estados Unidos, instigadas por um professor, começaram a pesquisar sobre a polonesa, com base em uma curta nota de jornal – “Os outros Schindler´s”. Para surpresa das estudantes, Irena Sendler estava viva e bem de saúde, com 90 anos, morando ainda na Polônia. Estabeleceram contato, enviaram e recebera cartas, fotos, informações e documentos. Acabaram por escrever uma peça de teatro intitulada "A Vida num Pote de Vidro", que atravessou o país, alcançou o Canadá, a Europa e, finalmente, a própria Polônia. A história virou filme (O Coração Corajoso de Irena Sendler, 2009), infelizmente pouco conhecido e divulgado.
Em 2001, quando houve o primeiro encontro das alunas com Irena Sendler, na Polônia, existia somente uma página na internet sobre ela; hoje são mais de 320 mil. Em 1965, a organização Yad Vashem de Jerusalem outorgou-lhe o título de Justa entre as Nações e nomeou-a cidadã honorária de Israel, mas o prêmio não foi entregue já que o governo comunista polonês proibiu Irena Sendler de viajar.
Em 1991, já sob a égide "democrática", o prêmio foi reafirmado e entregue. Em Novembro de 2003, o presidente polonês Aleksander Kwasniewski concedeu-lhe a mais alta distinção civil da Polônia: a Ordem da Águia Branca. Em 2007, foi condecorada com a Ordem do Sorriso, prêmio da ONU – a mais importante distinção concedida àqueles que buscam o bem de crianças de todo o mundo.
Ainda em 2007, Irena Sendler foi apresentada como candidata para o prêmio Nobel da Paz pelo Governo da Polônia, iniciativa do presidente Lech Kaczynski apoiada pelo Estado de Israel e pela Organização de Sobreviventes do Holocausto.
O prêmio, no entanto, foi dado ao ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, por conta de um slide-show em powerpoint sobre o clima global. Irena Sendler morreu em 12 de maio de 2008, na Polônia, sem nunca ter se considerado uma heroína. Dizia somente ter feito o justo e o correto no momento necessário, segundo ensinamentos paternos baseados na bondade e na humanidade.
Após salvar 2.500 crianças do Gueto de Varsóvia, e salvá-las uma segunda vez mantendo segredo de suas identidades enquanto aprisionada, nos seus últimos anos Irena Sendler esteve presa a uma cadeira de rodas, consequência da tortura e barbárie sofrida nas mãos da Gestapo!"A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade" (Irena Sendler).
http://www.irenasendler.org
sábado, 15 de fevereiro de 2014
A lenda do peixinho vermelho
***
No centro de formoso jardim, havia um
grande lago, adornado de ladrilhos azul- turquesa.
Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas, do outro lado, através de grade muito estreita.
Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes, a se refestelarem, nédios e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam, plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça.
Junto deles, porém, havia um peixinho vermelho, menosprezado de todos.
Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos nichos barrentos. Os outros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas as formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso.
O peixinho vermelho que nadasse e sofresse.
Por isso mesmo era visto, em correria constante, perseguido pela canícula ou atormentado de fome.
Não encontrando pouso no vastíssimo domicílio, o pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse.
Fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existentes e sabia, com precisão, onde se reuniria maior massa de lama por ocasião de aguaceiros.
Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, encontrou a grade do escoadouro.
À frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica, refletiu consigo:
- "Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?"
Optou pela mudança.
Apesar de macérrimo, pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu várias escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima.
Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista, pelo rego d'água, encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu, embriagado de esperança...
Em breve, alcançou grande rio e fez inúmeros conhecimentos.
Encontrou peixes de muitas famílias diferentes, que com ele simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro.
Embevecido, contemplou nas margens homens e animais, embarcações e pontes, palácios e veículos, cabanas e arvoredo.
Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais perdendo a leveza e a agilidade naturais.
Conseguiu, desse modo, atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo.
De início, porém, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia para quem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração; impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com os elementos que lhe constituíam a primeira refeição diária.
Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos Peixes, rogando proteção no bojo do monstro e, não obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida, porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntes marinhas.
O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias simpáticas e aprendeu a evitar os perigos e tentações.
Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitas riquezas da vida. Encontrou plantas luminosas, animais estranhos, estrelas móveis e flores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente feliz.
Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de Coral que elegera, com centenas de amigos, para residência ditosa, quando, ao se referir ao seu começo laborioso, veio a saber que somente no mar as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia, de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude, continuariam a correr para o oceano.
O peixinho pensou, pensou... e sentindo imensa compaixão daqueles com quem convivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles.
Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? não seria nobre ampará-los, prestando-lhes a tempo valiosas informações?
Não hesitou.
Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com ele viviam no Palácio de Coral, empreendeu comprida viagem de volta.
Tornou ao rio, do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se encaminhou para os canaizinhos que o conduziram ao primitivo lar.
Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotava, varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos companheiros. Estimulado pela proeza de amor que efetuava, supôs que o seu regresso causasse surpresa e entusiasmo gerais. Certo, a coletividade inteira lhe celebraria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia.
Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos ninhos lodacentos, protegidos por flores de lotus, de onde saíam apenas para disputar larvas, moscas ou minhocas desprezíveis.
Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção, porquanto ninguém, ali, havia dado pela ausência dele.
Ridicularizado, procurou, então, o rei de guelras enormes e comunicou-lhe a reveladora aventura. O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo e permitiu que o mensageiro se explicasse.
O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com ênfase, que havia outro mundo líquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma insignificância que podia desaparecer, de momento para outro. Além do escoadouro próximo desdobravam-se outra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vez mais rica e mais surpreendente. Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esqualos. Deu notícias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que vira o céu repleto de astros sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos, cidades praieiras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceanos e ofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos e tranqüilos. Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinha igualmente seu preço. Deveriam todos emagrecer convenientemente, abstendo-se de devorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à venturosa jornada.
Antes que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção.
Ninguém acreditou nele.
Alguns oradores tomaram a palavra e afirmaram, solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida além do poço era francamente impossível, que aquelas história de riachos, rios e oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que falavam em nome do Deus dos Peixes, que trazia os olhos voltados para eles unicamente.
O soberano da comunidade, para melhor ironizar o peixinho, dirigiu-se em companhia dele até a grade de escoamento e, tentando, de longe, a travessia, exclamou, borbulhante:
- "Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas? Grande tolo! vai-te daqui! não nos perturbes o bem-estar... Nosso lago é o centro do Universo... Ninguém possui vida igual à nossa!..."
Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se, em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo.
Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devastadora seca.
As águas desceram de nível. E o poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a perecer, atolada na lama...
Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas, do outro lado, através de grade muito estreita.
Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes, a se refestelarem, nédios e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam, plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça.
Junto deles, porém, havia um peixinho vermelho, menosprezado de todos.
Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos nichos barrentos. Os outros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas as formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso.
O peixinho vermelho que nadasse e sofresse.
Por isso mesmo era visto, em correria constante, perseguido pela canícula ou atormentado de fome.
Não encontrando pouso no vastíssimo domicílio, o pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse.
Fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existentes e sabia, com precisão, onde se reuniria maior massa de lama por ocasião de aguaceiros.
Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, encontrou a grade do escoadouro.
À frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica, refletiu consigo:
- "Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?"
Optou pela mudança.
Apesar de macérrimo, pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu várias escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima.
Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista, pelo rego d'água, encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu, embriagado de esperança...
Em breve, alcançou grande rio e fez inúmeros conhecimentos.
Encontrou peixes de muitas famílias diferentes, que com ele simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro.
Embevecido, contemplou nas margens homens e animais, embarcações e pontes, palácios e veículos, cabanas e arvoredo.
Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais perdendo a leveza e a agilidade naturais.
Conseguiu, desse modo, atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo.
De início, porém, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia para quem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração; impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com os elementos que lhe constituíam a primeira refeição diária.
Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos Peixes, rogando proteção no bojo do monstro e, não obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida, porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntes marinhas.
O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias simpáticas e aprendeu a evitar os perigos e tentações.
Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitas riquezas da vida. Encontrou plantas luminosas, animais estranhos, estrelas móveis e flores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente feliz.
Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de Coral que elegera, com centenas de amigos, para residência ditosa, quando, ao se referir ao seu começo laborioso, veio a saber que somente no mar as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia, de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude, continuariam a correr para o oceano.
O peixinho pensou, pensou... e sentindo imensa compaixão daqueles com quem convivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles.
Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? não seria nobre ampará-los, prestando-lhes a tempo valiosas informações?
Não hesitou.
Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com ele viviam no Palácio de Coral, empreendeu comprida viagem de volta.
Tornou ao rio, do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se encaminhou para os canaizinhos que o conduziram ao primitivo lar.
Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotava, varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos companheiros. Estimulado pela proeza de amor que efetuava, supôs que o seu regresso causasse surpresa e entusiasmo gerais. Certo, a coletividade inteira lhe celebraria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia.
Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos ninhos lodacentos, protegidos por flores de lotus, de onde saíam apenas para disputar larvas, moscas ou minhocas desprezíveis.
Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção, porquanto ninguém, ali, havia dado pela ausência dele.
Ridicularizado, procurou, então, o rei de guelras enormes e comunicou-lhe a reveladora aventura. O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo e permitiu que o mensageiro se explicasse.
O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com ênfase, que havia outro mundo líquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma insignificância que podia desaparecer, de momento para outro. Além do escoadouro próximo desdobravam-se outra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vez mais rica e mais surpreendente. Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esqualos. Deu notícias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que vira o céu repleto de astros sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos, cidades praieiras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceanos e ofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos e tranqüilos. Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinha igualmente seu preço. Deveriam todos emagrecer convenientemente, abstendo-se de devorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à venturosa jornada.
Antes que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção.
Ninguém acreditou nele.
Alguns oradores tomaram a palavra e afirmaram, solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida além do poço era francamente impossível, que aquelas história de riachos, rios e oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que falavam em nome do Deus dos Peixes, que trazia os olhos voltados para eles unicamente.
O soberano da comunidade, para melhor ironizar o peixinho, dirigiu-se em companhia dele até a grade de escoamento e, tentando, de longe, a travessia, exclamou, borbulhante:
- "Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas? Grande tolo! vai-te daqui! não nos perturbes o bem-estar... Nosso lago é o centro do Universo... Ninguém possui vida igual à nossa!..."
Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se, em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo.
Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devastadora seca.
As águas desceram de nível. E o poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a perecer, atolada na lama...
____________________________________
Retirado
do prefácio do livro "LIBERTAÇÃO", de André Luiz
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Edição FEB
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Edição FEB
As lágrimas dos Orixás
***
Em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos
do corpo. Realmente o Sol tinha se escondido nesse dia, e a Lua,
tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios, brilhosos
como fios de prata, a morada dos Orixás.
Nessa
estranha noite, Ogum, o Orixá das “guerras”, saiu do alto ponto onde
guarda todos os caminhos e dirigiu – se ao mar. Lá chegando, as sereias
começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram – se. Todos adoravam
Ogum, ele era tão forte e corajoso.
Yemanjá que tem nele um filho
querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe “coruja” quando revê um
filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada
dentro do coração:
-
Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais
vezes sua mãe, não é mesmo? _ ralhou Yemanjá, com aquele tom típico de
contrariedade.
- Desculpe, sabe, ando meio ocupado_ Respondeu um triste Ogum.
- Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste.
-
É, vim até aqui para “desabafar” com você “mãezinha”. Estou cansado!
Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome.
Estou cansado com o que eles fazem com a “espada da Lei” que julgam
carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das
“supostas” demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um
deles… Estou cansado…
Ogum
retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e
de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que
carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos
de Umbanda.
Chorava
por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero,
era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um
Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria
Vida, por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não!
Ogum amava a humanidade, amava a Vida.
Mas
infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas
não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego, e logo a
transformavam em um instrumento de guerra. Não vinham nele a potência e a
força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de
trevas na alma de todos. Não vinham em sua lança, a direção que aponta
para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna.
Não!
Infelizmente ele era entendido como o “Orixá da Guerra”, um homem
impiedoso que utiliza – se de sua espada para resolver qualquer
situação. E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer
dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas
entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão,
sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas
realizaram “quebras e cortes” de demandas, muitas das quais nem mesmo
existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio
estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso torna – se
uma guerra de vaidade, um show “pirotécnico” de forças ocultas. Muita
“espada”, muito “tridente”, muitas “armas”, pouco coração, pensamento
elevado e crescimento espiritual.
Isso magoava Ogum. Como magoava:
Isso magoava Ogum. Como magoava:
-
Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que a Umbanda é pura e
simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o
correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por
que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita
do amor, insistindo em empunhá – la com a mão esquerda da soberbia, do
poder transitório, da ira, da ilusão, transformando – na em apenas mais
uma espada semeadora de tormentos e destruição…
Então,
Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e
firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E
totalmente nu ficou frente à Yemanjá. Cravou sua espada no solo. Não
queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado…
Logo
um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu
apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não agüentava
mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não
entendia, como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar
contra Ela. Magoava – se por sua alfange da morte, que é o princípio que
a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser
tão temida e mal compreendida pelos homens.
Ele
também deixou sua alfange aos pés de Yemanjá, e retirou seu manto
escuro como a noite. Logo via – se o mais lindo dos Orixás, aquele que
usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor
e paz que irradia – se de todo seu ser. A luz que cura, a luz que
pacifica, aquela que recolhe todas as almas que perderam – se na senda
do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem disso…
Mas
o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar
aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha
noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo,
começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao
pé de Yemanjá suas armas e ferramentas simbólicas.
Faziam
isso em respeito a Ogum e Omulu, dois Orixás muito mal compreendidos
pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios.
Yansã queria que as
pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que
espalha as sementes de luz do seu amor.
Oxossi queria ser reverenciado
como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas
da ignorância.
Egunitá apagou seu fogo encantador, afinal, ninguém
lembrava da chama que intensifica a fé e a espiritualidade. Apenas
daquele que devora e destrói. Os vícios dos outros, é claro.
Um a um, todos foram despindo – se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás.
Um a um, todos foram despindo – se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás.
Yemanjá,
totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma
irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Orixá
das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a
reunião, acompanhado de Pomba Gira, sua companheira eterna de jornada.
Mas
os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam – se.
Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham
na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito.
Eles nunca perdiam o senso de humor!
E
os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa
de Yemanjá. Despiram – se de tudo. Exu e Pomba Gira, sem dúvida, eram
os que mais razões tinham de ali estarem. Inúmeros eram os absurdos
cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o
próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando – o a
figura do Diabo:
-
Hahaha, lamentável essa situação, hahaha, lamentável! _ Exu chorava,
mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá.
Yemanjá
estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas
nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer:
- Espere!_ pensou Yemanjá!_ Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação.
E
logo Yemanjá colocou – se em oração, pedindo a presença daquele que é o
Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou – se na frente de todos. Trazia
seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na Terra, ao lado
da espada de Ogum. Também despiu – se de sua roupa sagrada, pra igualar
– se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:
-
Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz
para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem,
aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas
verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e
bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também
está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros
trabalhadores nesse às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses
verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os
absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de “apenas”
prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do
coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das
dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um
trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões
no astral, construindo verdadeiras “bases de luz” na crosta, onde a
espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses que
realmente nos compreendem e buscam – nos dentro do coração espiritual,
pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos
de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas
costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos.
Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que
honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de
Olorum brilhar e sorrir…
Quando
Oxalá calou – se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas
esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam,
grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum
tempo, muitos outros juntariam – se nesse ideal. E aquilo alegrou – os
tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de
luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e
derramaram – se em amor e compaixão pela humanidade.
Em
Aruanda, os Caboclos, Pretos – Velhos e Crianças, o mesmo fizeram.
Largaram tudo, também despiram – se e manifestaram sua essência de luz,
sua humildade e sabedoria comungando a bênção dos Orixás.
Na
Terra, Baianos, Marinheiros, Boiadeiros, Ciganos e todos os povos de
Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e
abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem –
aventuranças incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas
sorriam e abraçavam – se. O alto os abençoava…
Mas,
uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando
assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e
guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os
Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas
almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta
tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pomba Giras, naquele dia
foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força
para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz.
***
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Abraços Grátis
***
na
praça movimentada de um grande centro urbano, por onde circulam
milhares de pessoas diariamente, eis que uma pessoa solitária estende um
cartaz que diz: Abraços grátis.
Possivelmente
já tenhamos visto alguns vídeos que circulam pela Internet, mostrando
cenas muito interessantes e emocionantes envolvendo os heróis dos free hugs, dos abraços grátis.
Segundo o site free hugs movement, o registro mais antigo desse tipo de manifestação coletiva aconteceu em 1986, quando o reverendo Kevin Zaborney criou em sua igreja o Dia nacional do abraço, celebrado todo ano, em 21 de Janeiro.
Posteriormente,
a esse movimento aderiram outras instituições como ONGs, hospitais,
escolas dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Austrália, Alemanha e
Rússia.
Em 2001, Jason Hunter deu início ao movimento Abraços grátis, após a morte de sua mãe.
- Um dia, que começou em completa tristeza, terminou em grande alegria porque eu percebi que minha mãe tinha feito exatamente o que Deus solicitou dela. - Disse ele sobre o acontecido, no site da sua campanha.
Ela adorava abraçar as pessoas, independente da raça ou sexo, e fazer com que soubessem o quanto eram importantes.
Que mundo maravilhoso poderíamos ter se fôssemos conhecidos como pessoas que têm um sorriso e uma palavra amável para todos.
Jason quis dar continuidade à missão de sua mãe e saiu pelas ruas da praia, ao sul de Miami, com o cartaz escrito Abraços grátis.
O vídeo original do Abraços grátis já tem mais de dez milhões de visualizações.
Cada pessoa que passa, reage de forma diversa. Há os que rejeitam. Mas os que cedem ao convite simpático, saem com um sorriso no rosto.
Há
muito mais ali do que o simples ato de abraçar um estranho. Há a doação
daquele que se coloca à disposição dos outros para um pequeno gesto de
carinho.
Imaginamos
que nem todos trazem boas vibrações, energias positivas, em seus
abraços, pois cada um vem de uma realidade diferente e, muitas vezes, essa realidade é dura e triste.
Porém, acabam levando um pequeno mimo, um pequeno consolo, uma breve mensagem que diz: Eu me importo com você.
Há
também o processo psicológico de se romper com a barreira do
afastamento físico, pois muitos trazem bloqueios nas expressões de
carinho mais simples e não aprenderam, sequer, a dar um abraço.
Nas cenas, vemos os mais diferentes tipos de abraços possíveis: de lado, de longe, com medo, quase sem tocar o outro.
É uma verdadeira sessão de psicoterapia, descomprometida, ao ar livre, de onde todos saem melhor.
A frase encontrada no cabeçalho do site oficial do movimento resume tudo: "Às vezes, um abraço é tudo o de que precisamos."
Talvez, muitos de nós não nos sintamos à vontade para abraçar estranhos.
Mas, cabe uma reflexão: Será que estamos abraçando os nossos suficientemente? Os mais próximos, os nossos amores?
Será que, por vermos nossos pais, filhos, esposos e amigos, constantemente, não estamos deixando de lado os abraços?
Respondamos, por fim, a esta pergunta: Quantos abraços já demos hoje?
Redação do Momento Espírita inspirado na campanha do site:
***
Gosto dessa definição: "Abraço é o encontro de dois corações." - Cazuza
sábado, 8 de fevereiro de 2014
O Senhor Palha
Tudo aquilo que se compartilha, se multiplica.
Tudo aquilo que se compartilha, se multiplica.
Papa Francisco Frases de GENEROSIDADE
Conto japonês
Era uma vez, há muitos e muitos anos, é claro, porque
as melhores histórias passam-se sempre há muitos e muitos anos, um
homem chamado Senhor Palha. Ele não tinha casa, nem mulher, nem filhos.
Para dizer a verdade, só tinha a roupa do corpo. Ora o Senhor Palha não
tinha sorte. Era tão pobre que mal tinha para comer e era magrinho como
um fiapo de palha. Era por esse motivo que as pessoas lhe chamavam
Senhor Palha.
Todos os dias o Senhor Palha ia ao templo pedir à
Deusa da Fortuna que melhorasse a sua sorte, mas nada acontecia. Até que
um dia, ele ouviu uma voz sussurrar:
— A primeira coisa em que tocares quando saíres do templo há- de trazer-te uma grande fortuna.
O Senhor Palha apanhou um susto. Esfregou os olhos,
olhou em volta, mas viu que estava bem acordado e que o templo estava
vazio. Mesmo assim, saiu a pensar: “Terei sonhado ou foi a Deusa da
Fortuna que falou comigo?” Na dúvida, correu para fora do templo, ao
encontro da sorte. Mas, na pressa, o pobre Senhor Palha tropeçou nos
degraus e foi rolando aos trambolhões até o final da escada, onde caiu
por terra. Ao levantar-se, ajeitou as roupas e percebeu que tinha alguma
coisa na mão. Era um fio de palha.
“Bom”, pensou ele, “uma palha não vale nada, mas, se a Deusa da Fortuna quis que eu o apanhasse, é melhor guardá-lo.”
E lá foi ele, com a palha na mão.
Pouco depois, apareceu uma libélula zumbindo em volta
da cabeça dele. Tentou afastá-la, mas não adiantou. A libélula zumbia
loucamente ao redor da cabeça dele. “Muito bem”, pensou ele. “Se não
queres ir embora, fica comigo.” Apanhou a libélula e amarrou-lhe o fio
de palha à cauda. Ficou a parecer um pequeno papagaio (de papel), e ele
continuou a descer a rua com a libélula presa à palha. Encontrou a
seguir uma florista, que ia a caminho do mercado com o filho pequenino,
para vender as suas flores. Vinham de muito longe. O menino estava
cansado, coberto de suor, e a poeira fazia-o chorar. Mas quando viu a
libélula a zumbir amarrada ao fio de palha, o seu pequeno rosto
animou-se.
— Mãe, dás-me uma libélula? — pediu. — Por favor!
“Bem”, pensou o Senhor Palha, “a Deusa da Fortuna
disse-me que a palha traria sorte. Mas este garotinho está tão cansado,
tão suado, que ficará certamente mais feliz com um pequeno presente.” E
deu ao menino a libélula presa à palha.
— É muita bondade sua — disse a florista. — Não tenho nada para lhe dar em troca além de uma rosa. Aceita?
O Senhor Palha agradeceu e continuou o seu caminho,
levando a rosa. Andou mais um pouco e viu um jovem sentado num tronco de
árvore, segurando a cabeça entre as mãos. Parecia tão infeliz que o
Senhor Palha lhe perguntou o que tinha acontecido.
— Hoje à noite, vou pedir a minha namorada em
casamento — queixou-se o rapaz. — Mas sou tão pobre que não tenho nada
para lhe oferecer.
— Bem, eu também sou pobre — disse o Senhor Palha. — Não tenho nada de valor mas, se quiser dar-lhe esta rosa ela é sua.
O rosto do rapaz abriu-se num sorriso ao ver a esplêndida rosa.
— Fique com estas três laranjas, por favor — disse o jovem. — É só o que posso dar-lhe em troca.
O Senhor Palha continuou a andar, levando três
suculentas laranjas. Em seguida, encontrou um vendedor ambulante a puxar
uma pequena carroça.
— Pode ajudar-me? — disse o vendedor ambulante,
exausto. — Tenho puxado esta carroça durante todo o dia e estou com
tanta sede que acho que vou desmaiar. Preciso de um gole de água.
— Acho que não há nenhum poço por aqui — disse o Senhor Palha. — Mas, se quiser, pode chupar estas três laranjas.
O vendedor ambulante ficou tão grato que pegou num rolo da mais fina seda que havia na carroça e deu-o ao Senhor Palha, dizendo:
— O senhor é muito bondoso. Por favor, aceite esta seda em troca.
E, uma vez mais, o Senhor Palha continuou o seu caminho, com o rolo de seda debaixo do braço.
Não tinha dado dez passos quando viu passar uma
princesa numa carruagem. Tinha um olhar preocupado, mas a sua expressão
alegrou-se ao ver o Senhor Palha.
— Onde arranjou essa seda? — gritou ela. — É
justamente aquilo de que estou à procura. Hoje é o aniversário de meu
pai e quero dar-lhe um quimono real.
— Bem, já que é aniversário dele, tenho prazer em oferecer-lhe a seda — disse o Senhor Palha.
A princesa mal podia acreditar em tamanha sorte.
— O senhor é muito generoso — disse sorrindo. — Por favor, aceite esta jóia em troca.
A carruagem afastou-se, deixando o Senhor Palha com uma jóia de inestimável valor refugindo à luz do sol.
“Muito bem”, pensou ele, “comecei com um fio de palha que não valia nada e agora tenho uma jóia. Sinto-me contente.”
Levou a jóia ao mercado, vendeu-a e, com o dinheiro,
comprou uma plantação de arroz. Trabalhou muito, arou, semeou, colheu, e
a cada ano a plantação produzia mais arroz. Em pouco tempo, o Senhor
Palha ficou rico.
Mas a riqueza não o modificou. Oferecia sempre arroz
aos que tinham fome e ajudava todos os que o procuravam. Diziam que a
sua sorte tinha começado com um fio de palha, mas quem sabe se não terá
sido com a sua generosidade?
William J. Bennett
O Livro das Virtudes II – O Compasso Moral
Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996
O Livro das Virtudes II – O Compasso Moral
Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996
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