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terça-feira, 27 de maio de 2014

Lendas Japonesas: Histórias sobre as árvores do Japão



 Certo dia, Kinto Fujiwara, grande Conselheiro de Estado, e o ministro de Uji, discutiam sobre qual era a mais bela das flores da primavera e do outono:

“ - A cerejeira está realmente entre as mais belas flores da primavera, o crisântemo, entre as do outono” - disse o ministro.

Então Kinto retrucou:
“ - Como a cerejeira pode ser a mais bela? Você esqueceu a ameixeira.

A discussão se concentrou somente entre a cerejeira e a ameixeira, sendo preteridas todas as demais. Por fim, Kinto, não querendo ofender o ministro, deixou de insistir na questão e apenas disse: 
“ - Tudo bem, que assim seja!”, e acrescentou, “ - A cerejeira pode ser a mais bela das duas, mas uma vez que tenha visto as flores da ameixeira vermelha numa manhã ainda branca de neve da primavera, você jamais esquecerá sua beleza”.

  


 


terça-feira, 20 de maio de 2014

Lendas Japonesas - O cristal de Buda





Contam que no Japão vivia um grande Ministro de Estado chamado Kamatari. (Imagem: Ilustração do livro de Yei Ozaki / Reprodução do Mundo-Nipo)
O honrado ministro tinha apenas uma filha, Kohaku Jo, que era extremamente bonita e tão bondosa quanto bela. A jovem era a alegria do coração paterno e, devido a isso, o pai decidiu que se ela tivesse que casar, não se casaria com ninguém inferior a um rei. E, com esse propósito fixo na mente, Kamatari recusava imediatamente todos os pretendentes a sua mão.
Certo dia, um grande tumulto ocorreu no pátio do Palácio, quando, pelos gigantes portões, entrava um grande número de homens carregando estandartes nos quais estava bordado, sob o fundo amarelo, um dragão.
Kamatari ficou sabendo que esses homens chegavam da corte chinesa trazendo uma mensagem do Imperador Ministro Kamatari Koso, que ouvira falar a respeito da suprema beleza e raro encanto de Kohaku Jo e desejava desposá-la. E, como é de costume na Ásia, em circunstâncias tais, o pedido do Imperador veio acompanhado da promessa de que, se o pedido fosse aceito, ele permitiria que Kohaku Jo escolhesse o que quisesse entre todos os tesouros de seu Império na China para enviar ao seu país como presente.
Após Kamatari receber os emissários do Imperador com toda pompa e cerimônia, pondo a disposição uma ela do Palácio, voltou a seus aposentos e pediu aos servos que trouxessem Kohaku a sua presença.
Ao entrar no quarto do pai, Kohaku curvou-se respeitosamente e em seguida sentou-se no tapete branco diante dele, esperando pacientemente que seu augusto pai lhe dirigisse a palavra.
Kamatari lhe disse que havia escolhido o Imperador da China para seu esposo e, ante a esse notícia, a jovem pôs-se a chorar, pois era feliz em seu país e em seu Palácio, e a China ficava muito longe. Porém, quando o pai disse que ela seria mais feliz no futuro do que fora até então, Kohaku enxugou as lágrimas e postou-se a ouvir o que o pai tinha a dizer.
A bela jovem ficou surpresa ao saber que todos os tesouros da China seriam depositados a seus pés. Porém, quando o pai lhe disse que poderia enviar três desses tesouros para o templo de Kofukuji, local onde ela havia recebido uma bênção quando recém-nascida, a tristeza de Kohaku esmoreceu pelo fato de que era extremamente fiel aquele templo.
Dado o fato, Kohaku obedeceu ao pai, não sem dor no coração por ter que deixar o seu país. Contudo, suas servas choraram quando souberam da novidade, mas, logo a seguir, se confortaram com notícia de que algumas dentre elas seriam escolhidas para acompanhar a bela jovem ao seu destino.
Antes de partir, Kohaku dirigiu-se ao templo Kofukuji e, diante do altar sagrado, rezou pedindo proteção em sua jornada, prometendo que, se sua prece fosse atendida, ela procuraria na China três dos mais preciosos tesouros e os presentearia ao templo em agradecimento.
Dado o fato, Kohaku chegou à China em segurança e foi recebida com suntuosidade pelo Imperador. Seus receios dissiparam-se diante da bondade de seu esposo real, que demonstrou mais que bondade quando lhe dirigiu com o linguajar de um romântico: “Depois de longos, longos dias de ansiosa espera, eu colhi a azaleia da montanha distante. Vou agora plantá-la em meu jardim e grande é a alegria em meu coração”.
Depois o Imperador Koso levou-a de Palácio em Palácio e Kohaku não sabia dizer qual era o mais bonito. Seu real esposo, porém, sabia que ela era muito mais bonita que qualquer um deles e, pensando na extrema formosura da jovem, desejou que ela fosse lembrada em toda China e além das fronteiras de seu Império.
Então, com a mente voltada nesse propósito, reuniu seus ourives e jardineiros e ordenou que criassem uma trilha como nunca se vira ou ouvia em todo mundo para dar de presente a Imperatriz. O piso dessa trilha era coberto de flores-de-lótus, acinzentadas em ouro e prata, para que ela caminhasse sobre ele quando passeasse sob as árvores ou junto ao lago e para que jamais dissesse que seus lindos pés haviam se conspurcado por tocarem a terra.
Dizem que, desde que a reluzente e aflorada trilha fora criada, os poetas-amantes passaram em versos e canções a chamar os pés das mulheres amadas de “pés-de-lótus”.
Entretanto, apesar do resplendor que a circundava, Kohaku não esquecia sua terra natal e nem a promessa que fizera no templo Kofukuji.
Certo dia, ela timidamente falou ao Imperador dessa promessa e ele, muito satisfeito por ter outra oportunidade de agradá-la, colocou diante dela um cabedal de coisas belas e preciosas que lhe deu a impressão de que o mundo real tivesse desaparecido e materializado a sua frente outro mundo, sendo este, primoroso e belo, de cores alegres e de formas perfeitas.
Era tal a abundância de coisas lindas, que ela achou muito difícil fazer uma escolha. Afinal decidiu-se pelos seguintes tesouros mágicos: um instrumento musical que uma vez tocado continuará a tocar para sempre; um tinteiro de pedras preciosas que continha um suprimento inexaurível de tinta indiana e, por último, um maravilhoso Cristal, que em cujas profundezas divisavam-se, de qualquer ângulo que o visse, uma imagem de Buda montado em um elefante Branco.
O Cristal, de transcendente beleza e reluzente brilho como de uma estrela, proporcionava paz de espírito eterno para quem olhasse através do conteúdo líquido e visse a figura sagrada de Buda.
Kohaku, depois de admirar por algum tempo esses tesouros, chamou o Almirante Banko e pediu que os levasse, em segurança, para o templo de Kofukuji.
Tudo correu bem com o Almirante Banko e seu navio, até que entraram em águas japonesas, seguindo em direção da Baía de Shido-no-ura, quando foram surpreendidos por forte tempestade que jogou o navio de um lado para outro. As ondas, enormes, se erguiam como bestas selvagens e relâmpagos sem conta cruzavam continuamente o céu, iluminando, por um momento, o navio desgovernado que, uma hora se equilibrava no topo das ondas enraivecidas, noutra hora afundava no fundo de um abismo verde do qual parecia nunca mais poder sair.
Subitamente, a tempestade cessou da mesma maneira inesperada que começara, como se a mão de alguma fada tivesse varrido as nuvens e espalhando um tapete azul brilhante sobre a superfície do mar.
O primeiro pensamento do Almirante Banko foi imediatamente para os tesouros que haviam sido lhes confiado. E, pensando neles, desceu rapidamente para a sua cabine e encontrou, no mesmo lugar que havia deixado, o instrumento musical e o tinteiro, mas, o mais precioso de todos, o Cristal do Buda, este havia desaparecido. Pensou em suicidar-se de tão desgostoso que ficou com tamanha perda. Mas refletiu melhor e chegou a conclusão de que o mais sábio seria continuar vivendo para fazer o que pudesse a fim de encontrar a sagrada joia. Assim, rumou para terra e informou Kamatari a respeito desse terrível infortúnio.
Nem bem Kamatari havia tomado conhecimento da perda do Cristal do Buda, quando o sábio ministro percebeu que tudo fora obra do Dragão Rei do Mar que havia provocado a tempestade para roubar o tesouro sem ninguém perceber.
Aos pescadores que viu na praia de Shido-no-ura, e que se aventurassem a entrar no mar para recuperar o Cristal do Buda, Kamatari ofereceu uma gorda recompensa. Todos os pescadores partiram nessa busca, mas, após muitas tentativas, a joia continuava na posse do Rei do Mar.
Kamatari, muito aborrecido, notou de repente uma pobre mulher com uma criança nos braços. Ela pediu ao ministro para entrar no mar e procurar o Cristal. Apesar de sua fragilidade, falava com convicção. Parecia que seu coração materno lhe infundia coragem. No entanto, a pobre mulher não queria dinheiro. Ela pediu, caso conseguisse recuperar o Cristal, que gostaria que, como recompensa, Kamatari criasse seu filho como um Samurai para que ele fosse alguém na vida e não um humilde pescador.
Estamos bem lembrados de que Kamatari preocupava-se com o futuro e o bem-estar de sua filha e, portanto, ele compreendeu os motivos daquela mãe e prometeu solenemente que se ela fosse bem sucedida em sua busca, atenderia prazerosamente seu pedido.
Após as palavras incentivadoras do ministro, a corajosa mulher afastou-se e, tirando o vestido, amarrou uma corda na cintura, onde prendeu uma faca. E, pronta para a perigosa jornada, pediu aos pescadores que segurassem a ponta da corda para em seguida mergulhar nas profundezas do mar.
A principio, ela percebeu um vago perfil de rochas, o espanar de um peixe assustado e o ouro claro da areia a seus pés. Logo depois avistou os telhados do Palácio de Coral do Rei do Mar, uma construção deslumbrante, realçada por tufos de algas multicores. O palácio lembrava um enorme pagode de muitos andares. A mulher aproximou-se para inspecioná-lo e notou uma luz brilhante, mais brilhante que o clarão de muitas luas, que chegava ferir a vista. Era a luz do Cristal do Buda, assentado no topo dessa vasta abóbada, guardado por dragões, profundamente adormecidos, mas que davam a impressão de que, mesmo dormindo, vigiavam.
A mulher nadou para o telhado, rezando para que os dragões permanecessem dormindo até ela estar de posse do tesouro e fora de perigo. Mas, assim que ela retirou o Cristal, os dragões acordaram, esticando as grandes garras e açoitando furiosamente a água com a cauda. Furiosos, partiram em sua perseguição.
A fim de não perder o Cristal que acabara de obter em meio a tanto risco, ela fez um corte no seio esquerdo, enfiou a joia na cavidade sangrenta e pressionou-a com a mão, e fez tudo isso sem esboçar um menor sinal de dor.


 A corajosa mulher sendo perseguida pelos dragões do mar (Imagem: Ilustração do livro de Yei Ozaki / Reprodução do Mundo Nipo)

Os dragões do mar, por terem medo de sangue, deram meia volta assim que perceberam a água turva avermelhada.
A corajosa mulher rapidamente puxou a corda para que os pescadores, que estavam sentados no distante rochedo, a içassem das profundezas do mar. Assim que ela emergiu, os pescadores deitaram-na com cuidado na praia e perceberam que ela tinha os olhos fechados e o seio sangrando profundamente.
Kamatari, de início pensou que a pobre mulher havia se arriscado em vão, porém, ao curvar-se sobre ela, notou o ferimento no seio, nesse momento ela abriu os olhos e, tirando a joia do esconderijo incomum, murmurou umas poucas palavras sobre a promessa de Kamatari e morreu em seus braços com um sorriso nos lábios.

O Cristal do Buda sendo devolvido a Kamatari (Imagem: Ilustração do livro de Yei Ozaki / Reprodução do Mundo-Nipo)
Kamatari levou a criança para o seu palácio e cuidou dela com todo o desvelo de um pai. Quando atingiu a maioridade, o menino tornou-se um bravo Samurai e, com a morte de Kamatari, assumiu o posto de Ministro de Estado.
Anos mais tarde, quando soube do sacrifício de sua mãe, ergueu em sua homenagem, na Baía de Shido-no-ura, um templo que batizou de Shidoji, visitado por peregrinos que recordam a bravura e a nobreza de uma pobre pescadora de ostras.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Lendas Japonesas - A borboleta branca



Existe uma lenda japonesa, muito bonita e tocante, a respeito de borboleta branca, que muitos consideram como fato ocorrido em tempos antigos no Japão.
Conta à lenda que um ancião chamado Takahama vivia em uma casinha atrás do cemitério de Sozanji.  Ele era uma pessoa extremamente gentil e de modo geral, gostava de seus vizinhos, embora muitos deles o considerassem um tanto maluco.
Sua maluquice, ao que parece, provinha do fato de nunca ter casado e tão pouco demonstrado desejo de relacionamento íntimo com uma mulher. No mais, o ancião era solícito com todos, “um ser de extrema bondade”, que levava uma vida simples e honesta.
Certo dia de verão, o ancião adoeceu gravemente e pediu para chamar a cunhada e o sobrinho, que tudo fizeram para ajudá-lo em seus últimos momentos.
Enquanto sua pequena família o assistia, Takahama adormeceu. Nem bem isso ocorreu, uma borboleta branca entrou no quarto e pousou em seu travesseiro. O jovem sobrinho tentou espantá-la com um leque, mas por três vezes ela voltou como se não quisesse deixar o enfermo ancião.
Por fim, o sobrinho de Takahama expulsou-a para o jardim, e do jardim para o cemitério onde posou sobre o túmulo de uma mulher por algum tempo, desaparecendo depois misteriosamente.
Ao se aproximar do túmulo, o jovem viu o nome “Akiko”, e uma inscrição constando que ela morrera aos dezoito anos de idade. Embora a sepultura estivesse coberta de musgo e sido construída há uns cinquenta anos, ele observou que ela estava rodeada de flores e que um pequeno vaso fora recentemente enchido de água.
Ao regressar, encontrou Takahama morto. Então resolveu contar a mãe o que vira no cemitério.
“Akiko”? Perguntou a mãe. “Escute, meu filho, quando seu tio era jovem, ele estava prometido para Akiko, que morreu de tuberculose pouco antes de se casarem. E quando ela deixou este mundo, seu tio decidiu morar perto de sua sepultura, fazendo votos de nunca mais se casar. Durante todos esses anos ele se manteve fiel a esse voto e guardou no coração a doce lembrança de seu único amor. Diariamente ele ia ao cemitério, rezava por ela, limpava a sepultura e depositava flores. Quando Takahama não pôde mais cumprir essa tarefa, Akiko veio busca-lo sob a forma daquela borboleta branca.”
Pouco antes de partir para a Terra da Primavera Amarela. Takahama murmurou:

"Onde as flores dormem,
Graças a Deus eu dormirei esta noite.
Borboleta, venha me buscar!"

domingo, 2 de março de 2014

Lendas Japonesas - Mil penas de Tsuru




Conta a lenda que um camponês muito pobre vivia em uma cabana humilde e seu único alimento era algumas verduras que colhia de sua terra cansada.
Um dia, enquanto tentava plantar em sua terra mais ao longe por achar menos árida, encontrou uma cegonha com a asa quebrada. A ave não podia voar em busca de alimento, estava fraca e beirando a morte. O camponês sentindo compaixão por tamanho sofrimento, rapidamente tomou a cegonha em seus braços e a levou para sua cabana. Ele cuidou de sua asinha e pacientemente colocou em seu bico algumas sementes. Com o passar dos dias, a cegonha melhorou. A bondade do camponês a livrou da morte e quando ela pôde voar, o camponês a libertou.
Alguns dias depois, uma mulher adorável apareceu em sua cabana pedindo que lhe desse abrigo por uma noite. O camponês, por ser uma pessoa de bom coração, não negaria esta caridade à pessoa alguma. Porém, a beleza daquela mulher fez com que ele acreditasse que deixá-la dormir em sua humilde cabana era realmente uma honra.
Após aquela noite os dois se apaixonaram e se casaram. A noiva era delicada, atenciosa e tinha tanta disposição para o trabalho quanto era bonita. E assim eles viviam muito felizes. Mas para o camponês, que já tinha muita dificuldade quando vivia sozinho, ficou muito mais difícil ainda cobrir as despesas que sua nova vida de casado lhe trazia.
Preocupada com esta situação, a esposa disse ao marido que produziria um tecido especial, pois tecer era um trabalho comum para as mulheres nessa época. Ele poderia vendê-lo para ganhar dinheiro, mas ela o alertou que precisaria fazer seu trabalho em segredo, e que ninguém, nem mesmo ele, seu marido, poderia vê-la tecer.
O homem construiu uma pequena cabana nos fundos de sua casa onde ela trabalhava trancada durante três dias. O marido só ouvia o som do tear batendo. A curiosidade e a saudade que tinha de sua bela mulher fazia com que estes dias demorassem muito para passar.
Quando o som da tecelagem parou, ela saiu com um lindo tecido entre os braços, de textura delicada, brilhante e com desenhos exóticos. A tecelã lhe deu o nome de “mil penas de Tsuru”.
Ele levou o tecido para a cidade. Os comerciantes ficaram surpreendidos e lutaram entre si para consegui-lo. O vendedor pagou com muitas moedas de ouro por ele. O pobre homem não podia acreditar que tão de repente a sorte começasse a lhe sorrir. Desde então, a esposa passou a trabalhar no valioso tecido outras vezes. O casal podia, com o fruto da venda, viver em conforto. A mulher, porém, tornava-se dia após dia mais magra.
Um dia, ela disse que não poderia tecer por um bom tempo. A mulher estava muito cansada. Seus ossos lhe doíam e a fraqueza quase a impedia de ficar em pé.
O camponês a amava muito e acreditava naquilo que ela dizia, no entanto, tinha experimentado a cobiça. Ele havia contraído algumas dívidas na cidade e pediu para que ela tecesse somente por mais uma vez. No princípio ela não aceitou, mas perante a insistência do marido, cedeu e começou a tecer novamente.
Desta vez ela não saiu no terceiro dia como era de costume, o homem ficou preocupado. Mais três dias se passaram sem que ela aparecesse e isso começou a deixar o marido desesperado.
No sétimo dia, sem saber mais o que fazer, ele quebrou sua promessa, espiando o serviço de tecelagem que ela fazia.
Para a sua surpresa, não era sua mulher que estava tecendo. Arqueada sobre o tear encontrava-se uma cegonha, muito parecida com aquela que o camponês havia curado.
O homem mal pôde dormir à noite, pensando o que teria acontecido com a mulher que amava. Amaldiçoava-se por ter sido insaciável e praticamente ter obrigado a sua querida esposa a tecer mais uma vez.
Na manhã seguinte, a porta da cabaninha se abriu e o camponês com o coração aos saltos fixou seus olhos na porta, esperançoso em ver a sua esposa sair dela com vida.
A mulher saiu da cabana com profundas olheiras, trazendo o último tecido nas mãos trêmulas. Entregou-o para o marido e disse, “Agora preciso voltar, você viu minha verdadeira forma, sendo assim, eu não posso mais ficar com você”.
Depois de dizer estas palavras, transformou-se em sua verdadeira forma para em seguida alçar vôo,  exibindo um lindo rastro de pó cintilante, e deixando o arrependido camponês, em eterna lágrimas.


  •  TSURUS

Os tsurus, no ocidente conhecidos como cegonha ou grou, são aves grandes, de cores contrastantes, plumagem clara, chegando ao branco, com extremos de fascinante degradê vermelho, e dotado de inigualável encanto. Beleza essa considerada sagrada pelos japoneses que acreditam que o pássaro representa a vitalidade da juventude.
Na cultura asiática, são tidos como os pássaros mais velhos do planeta, com expectativa de vida de cerca de mil anos.
Eram os pássaros companheiros dos eremitas que faziam meditação no alto das montanhas. Tidos como Eremitas Místicos, supunham ter poderes sobrenaturais que retardava o envelhecimento.
Ao longo dos anos, por terem sido companheiros dos eremitas, creditaram aos tsurus a mística de serem um talismã poderoso, aves com ações sobrenaturais e capazes de retardar o processo de envelhecimento. Dessa forma, o pássaro ganhou o título de “Pássaro da longevidade”.
Na Ásia, a crença da juventude perdura até os dias atuais, onde os tsurus simbolizam a mocidade eterna e a felicidade plena.

  •  A Crença


A arte do origami (dobrar papel) se inspirou nessa ave para criar uma de suas mais conhecidas formas, tanto que muitos também consideram o tsuru como o símbolo dessa arte japonesa. Até algum tempo atrás era comum encontrar no Japão, pedaços de barbantes amarrados com vários desses tsurus de papel, que eram pendurados no teto para distrair os bebês ou deixados nos templos para pedir proteção.
No Japão, acredita-se que dobrar 1.000 origamis de tsurus com a mente direcionada para uma necessidade, garante seu desejo realizado.
Aos enfermos, papéis para fazer origamis de tsurus são oferecidos pelos visitantes, amigos, parentes etc. A lenda diz que quanto mais origamis de tsurus o adoentado fizer, mais rápida será a sua recuperação.