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quarta-feira, 12 de março de 2014

Lenda de Yansã

 
Ogum pronto, numa caçada, para abater um imponente búfalo, percebe que de repente a pele do animal se abre de dentro sai a bela Yansã. 
Linda, ricamente vestida e cheia de ornamentos que valorizavam sua beleza e sensualidade. 
Ela dobrou a pele do búfalo e o escondeu num formigueiro, dirigindo-se para a cidade. 
Ogum a seguiu e completamente dominado pela sua beleza, propôs-lhe casamento, o que não foi aceito. Ele então, voltou e pegou a pele no esconderijo e a guardou para si, voltando para a cidade. 
Quando Yansã, descobriu o roubo da pele, voltou a cidade e encontrando Ogum a sua espera, acusou-o, exigiu o que era seu e Ogum nada, fingia-se de tonto, não admitindo nada. 
Yansã percebeu que teria de render-se e aceitar as propostas de Ogum, se quisesse seus pertences de volta.
Mas impôs-lhe três condições:
- Ninguém nunca poderia dizer-lhe diretamente que era um animal;
- Ninguém nunca poderia usar cascas de dendê para fazer fogo;
- Ninguém nunca poderia rodar um pilão pelo chão da casa.

Ogum aceitou as condições e se casaram.
Isso porém desagradou as demais mulheres de Ogum que passaram a sentir ciúmes da bela Yansã. Ousadamente, após o seu nono filho, e ainda sendo a preferida de Ogum, as demais mulheres resolveram tomar uma atitude.
Embriagaram Ogum com vinho de palma, e conseguiram que ele lhes contasse o segredo de Yansã.

Elas então acusaram-na de ser um animal e até lhes disseram onde estava sua pele, chifres e cascos. 
Yansã fingiu que não era com ela, mas quando sozinha, correu até o lugar indicado e achou seus pertences. Vestiu-os e eles se ajustaram perfeitamente, retomou a força do animal e com raiva atacou as outras mulheres e as matou. 
Ela pretendia voltar para a floresta, mas seus filhos a chamavam de volta. Então pegou seus chifres e os deu a eles, dizendo-lhes que se algum dia dela precisassem, que os tocasse e ela surgiria para defendê-los.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Lenda de Oxum/Osún




Filha de Oxalá, Oxum sempre foi uma moça muito curiosa, bisbilhoteira, interessada em aprender de tudo. Como sempre fora mimosa e manhosa, além de muito mimada, conseguia tudo do pai, o deus da brancura. Sempre que Oxalá queria saber de algo, consultava Ifá. O Senhor da adivinhação, para que ele visse o destino a ser seguido. Ifá, por sua vez, sempre dizia à Oxalá:

- Pergunte a Exu, pois ele tem o poder de ver os búzios!

E este acontecimento se repetia a cada vez que Oxalá precisava saber de algo. Isto intrigou Oxum, que pediu ao pai para aprender a ver o destino. E Oxalá disse à filha:

- Oxum, tal poder pertence a Ifá, que proporcionou a Exu o conhecimento de ler e interpretar os búzios. Isto não pode lhe dar!

Curiosa Oxum procurou, então, uma saída. Sabia que o segredo dos búzios estava com Exu e procurou-o para lhe ensinasse.


- Ensina-me, Exu! Eu também quero saber como se vê o destino.


Ao que Exu respondeu:


-Não, não! O segredo é meu, e me foi dado por Ifá. Isso eu não ensino!


Exu estava intransigente. Oxum sabia disso e sabia que não conseguiria não conseguiria nada com ele. Partiu, então, para a floresta, onde viviam as feiticeiras Yámi Oxorongá. Cuidadosa, foi se aproximando pouco a pouco do âmago da floresta. Afinal, sua curiosidade e a decisão de desbancar Exu eram mais fortes que o medo que sentia.

Em dado momento deparou-se com as Yámi, empoleiradas nas árvores. Entre risos e gritos alucinantes, perguntaram À jovem Oxum:


- O que você quer aqui mocinha?

- Gostaria de aprender a magia! Disse Oxum, em tom amedrontado.

- E por que quer aprender a magia?

- Quero enganar Exu e descobrir o segredo dos búzios!


As Yámi, há muito querendo “pegar Exu pelo pé”, resolveram investir na jovem Oxum, ensinando-lhe todo o tipo de magia, mas advertiram que, sempre que Oxum usasse o feitiço, teria que fazer-lhes uma oferenda. Oxum concordou e partiu.

Em seu reino, Oxalá já se preocupava com a demora da filha que, ao chegar, foi diretamente ao encontro de Exu. Ao encontrar-se com este, Oxum insistiu:


- Ensina-me a ver os búzios, Exu?

- Não e não! Foi sua resposta.


Oxum, então, com a mão cheia de um pó brilhante, mandou que Exu olhasse e adivinhasse o que tinha escondido entre os dedos. Exu chegou perto e fixou o olhar. Oxum, num movimento rápido, abriu a mão e soprou o pó no rosto de Exu, deixando-o temporariamente cego.


- Ai! Ai! Não enxergo nada, onde estão meus búzios? Gritava Exu.


Oxum, fingindo preocupação e interesse em ajudar, perguntou a Exu:

- Eu os procuro, quantos búzios, formam o jogo?

- Ai! Ai! São 16 búzios. Procure-os para mim, procure-os!

- Tem certeza de que são 16, Exu? E por que seriam 16?

- Ora, ora, porque 16 são os Odus e cada um deles fala 16 vezes, num total de 256.

- Ah! Sei. Olha, Exu, achei um, ele é grande!

- É Okanran! Ai! Ai! Não enxergo nada!
- Olha, achei outro, é menorzinho.

- É Eji-okô, me dê, me dê!

- Ih! Exu,. Achei um compridinho!

- E Etá-Ogundá, passa para cá....

E assim foi , até chegar ao ultimo Odu, Inteligente, Oxum guardou o segredo do jogo e voltou ao seu reino. Atrás de si, deixou Exu com os olhos ardidos e desconfiados de que fora enganado.

- Hum! Acho que essa garota me passou para trás!

No reino de Oxalá, Oxum disse ao seu pai que procurara as Yámi, que com elas aprendera a arte da magia e que tomara de Exu o segredo do Jogo de Búzios. Ifá, o Senhor da adivinhação, admirado pela coragem e inteligência de Oxum, resolveu dar-lhe, então, o poder do jogo e advertiu que ela iria regê-lo juntamente com Exu.

Oxalá quis saber ao certo o porquê de tudo aquilo e pediu explicações à filha. Meiga, Oxum respondeu ao pai:


- Fiz tudo isso por amor ao Senhor, meu pai. Apenas por amor!
Ora Yê Yê, amor.... Ora Yê Yê, Oxum...