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sábado, 5 de abril de 2014
Orixás - Lendas de Exú/Esú - Oferenda aos antepassados
Exu instaura o conflito entre Yemanjá, Oyá e Oxum
Um dia, foram juntas ao mercado Oyá e Oxum, esposas de Xangô, e Yemanjá, esposa de Ogum.
Exu entrou no mercado conduzindo uma cabra.
Ele viu que tudo estava em paz e decidiu plantar uma discórdia.
Aproximou-se de Yemanjá, Oyá e Oxum e disse que tinha um compromisso importante com Orunmilá.
Ele deixaria a cidade e pediu a elas que vendessem sua cabra por vinte búzios. Propôs que ficassem com a metade do lucro obtido.
Yemanjá, Oyá e Oxum concordaram e Exu partiu.
A cabra foi vendida por vinte búzios. Yemanjá, Oyá e Oxum puseram os dez búzios de Exu à parte e começaram a dividir os dez búzios que lhes cabiam. Yemanjá contou os búzios. Haviam três búzios para cada uma delas, mas sobraria um. Não era possível dividir os dez em três partes iguais. Da mesma forma Oyá e Oxum tentaram e não conseguiram dividir os búzios por igual. Aí as três começaram a discutir sobre quem ficaria com a maior parte.
Yemanjá disse: "É costume que os mais velhos fiquem com a maior porção. Portanto, eu pegarei um búzio a mais".
Oxum rejeitou a proposta de Yemanjá, afirmando que o costume era que os mais novos ficassem com a maior porção, que por isso lhe cabia.
Oyá intercedeu, dizendo que , em caso de contenda semelhante, a maior parte caberia à do meio.
As três não conseguiam resolver a discussão. Então elas chamaram um homem do mercado para dividir os búzios equitativamente entre elas. Ele pegou os búzios e colocou em três montes iguais. E sugeriu que o décimo búzio fosse dado a mais velha. Mas Oyá e Oxum, que eram a segunda mais velha e a mais nova, rejeitaram o conselho. Elas se recusaram a dar a Yemanjá a maior parte.
Pediram a outra pessoa que dividisse equitativamente os búzios. Ele os contou, mas não pôde dividi-los por igual. Propôs que a parte maior fosse dado à mais nova. Yemanjá e Oyá não concordaram.
Ainda um outro homem foi solicitado a fazer a divisão. Ele contou os búzios, fez três montes de três e pôs o búzio a mais de lado. Ele afirmou que, neste caso, o búzio extra deveria ser dado àquela que não é nem a mais velha, nem a mais nova. O búzio devia ser dado a Oyá. Mas Yemanjá e Oxum rejeitaram seu conselho. Elas se recusaram a dar o búzio extra a Oyá.
Não havia meio de resolver a divisão.
Exu voltou ao mercado para ver como estava a discussão. Ele disse: "Onde está minha parte?".
Elas deram a ele dez búzios e pediram para dividir os dez búzios delas de modo equitativo.
Exu deu três a Yemanjá, três a Oyá e três a Oxum. O décimo búzio ele segurou.
Colocou-o num buraco no chão e cobriu com terra.
Exu disse que o búzio extra era para os antepassados, conforme o costume que se seguia no Orun.
Toda vez que alguém recebe algo de bom, deve-se lembrar dos antepassados. Dá-se uma parte das colheitas, dos banquetes e dos sacrifícios aos Orixás, aos antepassados. Assim também com o dinheiro. Este é o jeito como é feito no Céu. Assim também na terra deve ser.
Quando qualquer coisa vem para alguém, este deve-se dividi-la com os antepassados. "Lembrai que não deve haver disputa pelos búzios."
Yemanjá, Oyá e Oxum reconheceram que Exu estava certo. E concordaram em aceitar três búzios cada.
Todos os que souberam do ocorrido no mercado de Oió passaram a ser mais cuidadosos com relação aos antepassados, a eles destinando sempre uma parte importante do que ganham com os frutos do trabalho e com os presentes da fortuna.
sábado, 29 de março de 2014
Orixás de Umbanda/Candomblé - \Sobre/
Olorum/Olodumarè
O Senhor do Universo, da criação, da sabedoria. Senhor de tudo e de todos, o dono dos mistérios da vida e da morte. A bondade, a perseverança, a fé, a humildade, a caridade, o amor.
Trono Masculino da Fé
Sincretismo: Jesus
Cor: Branco
Símbolo: Estrela de 5 pontas, a Cruz
Pontos da Natureza: Praias desertas, colinas descampadas, campos, montanhas, etc…
Flores: Lírios brancos e todas as flores que sejam dessa cor
Elemento: Ar
Saudação: Exêe, Epa Babá
Oyá
Trono Feminino da Fé
Sincretismo: Santa ClaraCor: Fumê, prateado, azul-escuro e preto e branco
Símbolo: Aspiral
Pontos da Natureza: Campo aberto no tempo
Flores: Flores do campo
Elemento: Ar
Saudação: Olha o tempo, minha mãe!
Oxósse/Osósse
Trono Masculino do Conhecimento
Sincretismo: São Gerônimo
Cor: Verde
Símbolo: Arco e flecha, penas
Pontos da Natureza: Matas
Flores: Plantas, ervas, flores
Elemento: Ar, vegetal
Saudação: Okê Arò
Obá
Trono Feminino do Conhecimento
Sincretismo: Joana D'arc
Cor: Magenta, vermelho e branco
Símbolo: Espada, arco e flecha e escudo de cobre
Pontos da Natureza: A pororoca, rios de águas revoltas, beira da mata
Flores: rosas brancas, flores do campo, amor perfeito, rosas e palmas vermelhas
Elemento: Fogo
Saudação: Akirôo Obá Yê
Oxum/Osún
Trono Feminino do Amor
Sincretismo: Nossa Senhora Da Aparecida
Cor: Azul- Escuro, Rosa e Amarelo
Símbolo: Coração, cachoeira e abebé (espelho)
Pontos da Natureza: Cachoeira e rios
Flores: Lírio, rosa amarela.
Elemento: Água
Saudação: Ora yêyê ô
Oxumaré/Osúmarè
Trono Masculino do Amor
Sincretismo: São Bartolomeu
Cor: as 7 cores do arco-íris: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul claro, índigo e violeta
Símbolo: Serpente, Arco-Íris.
Pontos da Natureza: cachoeiras ou rios com correntezas fortes
Flores: Flor do campo coloridas, hortência
Elemento: Água
Saudação: Arrobobô
Xangô/Sangò
Trono Masculino da Justiça
Sincretismo: São Jerônimo
Cor: Marrom, branco e vermelho
Símbolo: Machado
Pontos da Natureza: Pedreira
Flores: Cravos Vermelhos e brancos
Elemento: Fogo
Saudação: Kawô Kabeciele
Egunitá
Trono Feminino da Justiça
Sincretismo: Santa Sara Kali
Cor: Laranja
Símbolo: Espada, raio
Pontos da Natureza: Campo aberto, pedreira
Flores: Flores do campo laranjas, lírios laranjas
Elemento: Fogo
Saudação: Kali Yê!
Yansã
Trono Feminino da Lei
Sincretismo: Santa Bárbara
Cor: Amarelo e vermelho
Símbolo: Raio, chifre de búfalo, adaga de cobre, Espada
Pontos da Natureza: Pedreiras e caminhos
Flores: Palmas amarelas, vermelhas, rosas amarelas e vermelhas, tulipas
Elemento: Ar
Saudação: Eparrey!
Ogum
Trono Masculino da Lei
Sincretismo: São Jorge
Cor: Vermelho, azul, prata
Símbolo: Espada e escudo
Pontos da Natureza: Caminhos, campos, estradas
Flores: Cravo vermelho
Elemento: Ar
Saudação: Ogum Yê, Patacori Ogum!
Yemanjá/Yemonjá
Trono Feminino da Geração e da Vida
Sincretismo: Nossa Senhora dos Navegantes
Cor: Azul celeste, cristal, branco
Símbolo: Lua, ondas, peixes
Pontos da Natureza: Mar
Flores: Flores brancas,
Elemento: Água
Saudação: Odo iyá, Óh doce Yabá
Omulu
Trono Masculino da Geração
Sincretismo: São Roque
Cor: Roxo, o branco, o preto e o vermelho juntos e o branco e o preto
Símbolo: O cruzeiro do cemitério, a foice, a terra; as pipocas; a palha da costa.
Pontos da Natureza: Lagos, águas profundas, lama, porta dos cemitérios, pântanos.
Flores: Crisântemos
Elemento: Terra
Saudação: Atotô
Nanã Burukù/Nanã Burukê
Trono Feminino da Evolução
Sincretismo: Nossa Senhora Santana
Cor: Lilás
Símbolo: Chuva
Pontos da Natureza: Lagos, águas profundas, lama, cemitérios, pântanos.
Flores: Todas as flores roxas
Elemento: Água
Saudação: Saluba Nanã
Obaluayê/Obaluayè
Trono Masculino da Evolução
Sincretismo: São Lázaro
Cor: Preto e branco
Símbolo: O cruzeiro, a cruz e a palha da costa.
Pontos da Natureza: O cemitério (a calunga pequena) e o mar (a calunga grande)
Flores: Crisântemos (de cor branca e ou lilás), violetas, flores do campo e margaridas
Cor: Preto e branco
Símbolo: O cruzeiro, a cruz e a palha da costa.
Pontos da Natureza: O cemitério (a calunga pequena) e o mar (a calunga grande)
Flores: Crisântemos (de cor branca e ou lilás), violetas, flores do campo e margaridas
Elemento: Terra
Saudação: Atôtô (Significa “Silêncio, Respeito”)
Saudação: Atôtô (Significa “Silêncio, Respeito”)
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segunda-feira, 24 de março de 2014
Lendas de Oxumaré - Como Oxumaré se tornou rico e respeitado
”
Oxumaré era, antigamente, um adivinho (babalaô). O adivinho do rei Oni.
Sua única ocupação era ir ao palácio real no dia do segredo; dia que dá
início à semana, de quatro dias, dos yorubás. O rei Oni não era um rei
generoso. Ele dava apenas, a cada semana, uma quantia irrisória a
Oxumaré que, por essa razão vivia na miséria com sua família. O pai de
Oxumaré tinha um belo apelido. Chamavam-no “o proprietário do chalé de
cores brilhantes”. Mas tal como seu filho, ele não tinha poder. As
pessoas da cidade não o respeitavam. Oxumaré, magoado por esta triste
situação, consultou Ifá. “Como tornar-me rico, respeitado, conhecido e
admirado por todos? Ifá o aconselhou a fazer oferendas. Disse-lhe “que
oferecesse uma faca de bronze, quatro pombos e quatro sacos de búzios da
costa.”
No momento que Oxumaré fazia
estas oferendas, o rei mandou chamá-lo. Oxumaré respondeu: “Pois não,
chegarei tão logo tenha terminado a cerimônia.” O rei, irritado pela
espera, humilhou Oxumaré, recriminou-o e negligenciou, até, a remessa de
seus pagamentos habituais. Entretanto, voltando à sua casa, Oxumaré
recebeu um recado: Olokum, a rainha de um país vizinho, desejava
consultá-lo a respeito de seu filho que estava doente. Ele não podia
manter-se de pé. Caía, rolava no chão e queimava-se nas cinzas do
fogareiro. Oxumaré dirigiu-se à corte da rainha Olokum e consultou Ifá
para ela. Todas as doenças da criança foram curadas. Olokum, encantada
por este resultado, recompensou Oxumaré. Ela ofereceu-lhe uma roupa
azul, feita de rico tecido. Ela deu-lhe muitas riquezas, servidores e um
cavalo, sobre o qual Oxumaré retornou à sua casa em grande estilo.
Um escravo fazia rodopiar um
guarda sol sobre sua cabeça e músicos cantavam seus louvores. Oxumaré
foi, assim, saudar o rei. O rei Oni ficou surpreso e disse-lhe: “Oh! De
onde vieste? De onde saíram todas estas riquezas?” Oxumaré respondeu-lhe
que a rainha Olokum o havia consultado. “Ah! Foi então Olokum que fez
tudo isto por você!” Estimulado pela rivalidade, o rei Oni ofereceu a
Oxumaré uma roupa do mais belo vermelho, acompanhada de muitos outros
presentes. Oxumaré tornou-se, assim, rico e respeitado. Oxumaré,
entretanto, não era amigo de Chuva. Quando Chuva reunia as nuvens,
Oxumaré agitava sua faca de bronze e a apontava em direção ao céu, como
se riscasse de um lado a outro. O arco-íris aparecia e Chuva fugia.
Todos gritavam: “Oxumaré apareceu!” Oxumaré tornou-se, assim, muito
célebre.
Nesta época, Olodumaré, o deus
supremo, aquele que estende a esteira real em casa e caminha na chuva,
começou a sofrer da vista e nada mais enxergava. Ele mandou chamar
Oxumaré e o mal dos seus olhos foram curados. Depois disso, Olodumaré
não deixou mais que Oxumaré retornasse a Terra. Desde esse dia, é no céu
que ele mora e só tem permissão para visitar a Terra a cada três anos. É
durante estes anos que as pessoas tornam-se ricas e prósperas.”
sábado, 22 de março de 2014
Lendas dos Orixás - Oxum Opará e Yansã Onirá
“Ypondá e Opará disputavam o mesmo amor.
Em um determinado dia, Ypondá
deu-se conta de que os olhos de Opará brilhavam muito quando avistava
Erinlé, o Odé preferido de Ypondá. Ypondá muito faceira e perigosa,
andava sempre armada com seu par de fisgas (espécie de arpão), chamou
Opará até próximo a ela e pediu que se ajoelhasse. Opará sem entender
cumpriu o que a Osun mais velha solicitou, nesta fase Opará era uma
espécie de dama de companhia de Ypondá. Opará muito jovem e bela sempre
afoita e guerreira, ficava sempre sentada aos pés de Ypondá. Ao abaixar-se,
Ypondá fisgou-lhe as duas vistas e arrancou fora tornando-se então,
Opará a Osun cega. (Por isso, dentro de seu Igbá põe-se um par de olhos).
Onirá, revoltada com tal situação, tenta comprar a briga de Opará,
lançando raios contra Ypondá, e queimando os pés de minha senhora.
Ypondá por sua vez muitíssimo inteligente mira o abebé dela contra os
raios de Oyá e a cega também.
Desde então, Opará e Oyá guiam-se uma a outra, fazem companhia, são inseparáveis.
A esta Oyá damos o nome de Onirá, que é uma Oya Olodo (ou seja, das águas), e também, existem dois caminhos de Opará:
Opará Hubjebé, a que vem com Oyá
Opará Akurálonà, a que vem com Ogun."
Desde então, Opará e Oyá guiam-se uma a outra, fazem companhia, são inseparáveis.
A esta Oyá damos o nome de Onirá, que é uma Oya Olodo (ou seja, das águas), e também, existem dois caminhos de Opará:
Opará Hubjebé, a que vem com Oyá
Opará Akurálonà, a que vem com Ogun."
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